5. GERAL 21.8.13

1. GENTE
2. AMBIENTE  BOAS-VINDAS, OLINGUITO
3. NEGCIOS  DEMOROU 44 ANOS
4. TECNOLOGIA  ISTO, SIM,  TREM-BALA
5. GUSTAVO IOSCHPE  UNIVERSIDADE GRATUITA PARA ALUNO RICO  UMA ABERRAO BRASILEIRA
6. SADE  UM S NO BASTA
7. MEDICINA  A BALA DE PRATA CONTRA O COLESTEROL

1. GENTE
JULIANA LINHARES. Com Alvaro Leme, marlia Leoni e Thas Botelho

SALTO SEM VARA
Basta olhar a foto  esquerda para constatar que, aos 31 anos, a atleta russa YELENA ISINBAEVA ainda tem um bocado de flego. Depois de quatro anos sem medalhas de ouro no salto com vara, ela voltou a explodir no torneio mundial de atletismo, em Moscou. Solteira, informou que vai parar de competir para tentar ter um filho e foi especialmente paparicada pelo presidente Vladimir Putin. Em ingls com algumas lacunas, ela tambm tocou fogo em outra arena: a nova lei russa que limita manifestaes em favor dos homossexuais. "Temo pelo nosso pas se permitirmos a promoo dessas coisas, porque nos consideramos um povo normal. Homem com mulher, mulher com homem." O que ser que Edward Snowden e seus simpatizantes esto achando disso?

UM PROCESSO SELETIVO
Ela tem 25 anos e ele, 58. Ela nunca foi casada, ele j se casou quatro vezes. Ela no tem filhos, ele tem quatro. Mas, quando o fogo que arde sem se ver comea, o que fazer? "Ele  lindo, uma pessoa completa. Tem como no admirar? No", pergunta e responde a modelo catarinense ANA PAULA SIEBERT sobre seu par atual, o publicitrio e apresentador Roberto Justus. Ana Paula nega peremptoriamente que o romance tenha comeado quando ele ainda era casado com Ticiane Pinheiro, de quem se separou em maio (e com quem ainda divide apartamento). Segundo ela, os dois esto se "conhecendo melhor" desde junho, quando se encontraram para tratar de um programa com ex-participantes do reality show que ele comanda e do qual ela foi demitida em 2009. "Percebi um interesse diferente e desisti do processo seletivo", diz.

FAMLIA D MAIOR FORA
No basta vir ao mundo como uma espcie de irmzinh caula de Luke Skywalker: ela ter de escalar montanhas como Indiana Jones. Pelo menos  o que aponta o nome da pequena Everest, filha do criador dos dois antolgicos personagens, GEORGE LUCAS. Aos 69 anos, o diretor e produtor se animou a empurrar as fronteiras da paternidade  seus trs filhos mais velhos, adotados, esto com 32, 25 e 20 anos. Everest nasceu de barriga de aluguel. Lucas se casou em junho com a companheira de longa data, a executiva MELLODY HOBSON, 44. "A Fora finalmente tem um nome: Mellody", brindou na festa Steven Spielberg. Agora, a Forcinha tambm.

ATRAVESSANDO O MAR VERMELHO
Ver um filho dizer bobagens no Twitter  um constrangimento para qualquer pai. Mas, se o pai  o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e o filho tuta referncias assustadoras, como " um nome bonito. Eu mudaria o meu para Lcifer" ou "Se eu achar que voc est me tirando (zoando), eu mato", a crise familiar vira borrasca. MOYSES, 22, j teve uma banda de rock e detona nas redes sociais os funcionrios da emissora do pai. Ganhou o cargo de assistente da vice-presidncia, com sala privativa e pouco a fazer. "Nas reunies, ele fica s mexendo no celular", conta um colega. "As ms escolhas nos conduzem aos maus resultados", retrucou o pai. Vai reclamar a quem? 

PRATICAMENTE UMA ILADA
O currculo da gacha MEL FRONCKOWIAK, 25,  tridiversificado. Ela j foi miss Bumbum, trabalhou como atriz na novela adolescente Rebelde e como cantora da banda de mesmo nome. Agora, lana o livro Inclassificvel, Memrias da Estrada, que escreveu durante turns da banda. O livro de Mel, que namora o ator Rodrigo Santoro, sumiu j na pr-venda, pela internet. "Foram 2000 cpias em quarenta minutos. No  porque ela tem bumbum bonito que no pode escrever", diz a editora Natlia Parreiras. Trecho: "Era de manhzinha, o sol se espreguiava nas nuvens com seus dedos pintados de manh. A gente ia estrada afora com o orvalho se despedindo".


2. AMBIENTE  BOAS-VINDAS, OLINGUITO
Cientistas descobrem uma nova espcie de animal que vive nas florestas da Colmbia e do Equador, o primeiro mamfero carnvoro encontrado na Amrica em 35 anos.

     Anualmente, cerca de 15.000 novas espcies animais so encontradas e registradas. Em sua maioria, so insetos e aracndeos. A descoberta de mamferos  mais rara, com mdia de duas dezenas por ano. So principalmente morcegos e ratos pequenos. Vez ou outra, um animal maior  descoberto. Na semana passada, foi a vez do olinguito, um bichinho simptico que parece um guaxinim com o rosto de um ursinho de pelcia. Ele  o primeiro mamfero da ordem dos carnvoros a ser encontrado na Amrica nos ltimos 35 anos. Foi descoberto por um time de pesquisadores liderados pelo zologo americano Kristofer Helgen  um especialista em procurar novas espcies que j registrou mais de 25 animais. 
     A busca pelo olinguito comeou em 2003, quando Helgen viu alguns crnios e peles que no conseguia reconhecer numa exposio cientfica em Chicago. Desde ento, passou a pesquisar a que animal pertenciam. Depois de analisar material semelhante em diversas instituies de zoologia, deu o primeiro passo para localizar a origem geogrfica do animal. Com uma tcnica que usa indcios de crnios, ossos e peles, deduziu o tipo de ambiente no qual viveria. O local provvel era a Amrica do Sul, mais precisamente a regio andina do Equador e da Colmbia. O trabalho de campo comeou no Equador, onde os pesquisadores encontraram e capturaram exemplares. J de volta aos Estados Unidos, a teoria de que aquela era uma nova espcie foi confirmada graas a anlises de DNA. 
     O olinguito mede em mdia 76 centmetros do nariz  cauda. Em geral, pesa pouco menos de 1 quilo.  solitrio e tem apenas um filhote por vez. Vive na copa das rvores e se movimenta durante a noite. Esses hbitos podem ter contribudo para a demora dos cientistas em catalog-lo. Outro fato foi a presena persistente de neblina nas florestas onde o animal habita, o que dificulta a viso do topo das rvores. Isso inspirou seu nome cientfico, Bassaricyon neblina. Apesar de fazer parte da ordem dos carnvoros, o olinguito se alimenta de frutas e outros vegetais. Explicou a VEJA a biloga Mirian Tsuchiya, integrante do time que descobriu o animal: "A ordem dos carnvoros  apenas uma classificao, no significa que sua dieta seja carnvora. Outro exemplo parecido com o olinguito  o urso panda. Ele tambm  da ordem dos carnvoros, mas no come carne". 
     O olinguito j foi confundido com outra espcie parecida, o olingo, que  maior, com pelagem rala e focinho mais alongado. As duas espcies compartilham 90% dos genes. A demora para catalogar um olinguito pode sugerir que ele seja raro na natureza. Os cientistas que fizeram a descoberta, no entanto, no acreditam que esses animais estejam sob risco de extino, embora quase metade das florestas onde eles vivem j tenha sido devastada para a agricultura e a plantao de coca para a produo de drogas, ou em consequncia da urbanizao. 
VICTOR CAPUTO


3. NEGCIOS  DEMOROU 44 ANOS
Fundada em 1969, a Gap, a maior rede de vesturio dos EUA, j est em noventa pases, mas s agora abrir as portas no Brasil  por culpa da burocracia e do protecionismo.
ANA LUIZA DALTRO

     Maior grupo de vesturio dos Estados Unidos e o terceiro do mundo, a americana Gap finalmente abrir as portas no Brasil. A primeira loja ser inaugurada em setembro, no Shopping JK Iguatemi, em So Paulo. Outros trs pontos sero abertos at o primeiro semestre de 2014. Se as projees de vendas se confirmarem, o plano  chegar a pelo menos quinze unidades nos prximos anos. Fundada em 1969, na Califrnia, a Gap obteve grande sucesso vendendo roupas bsicas benfeitas, com extensa variedade de medidas e cortes, preos acessveis ao bolso da classe mdia e lojas de autoatendimento extremamente organizadas, em que seus funcionrios dobram cuidadosa e incessantemente as peas experimentadas pelos clientes. A frmula prosperou e foi replicada. Hoje a Gap j no aparece entre as marcas mais cobiadas pelos jovens; perdeu charme. O ingresso no Brasil, pas no qual h uma classe mdia com vigoroso poder de compra, , portanto, uma oportunidade de a empresa multiplicar os seus nmeros. O fato de a Gap investir no pas apenas agora, porm, demonstra como o mercado brasileiro passa ao largo das prioridades dos grupos estrangeiros, que optam por consolidar sua presena nas naes ricas, prioritariamente na sia. antes de se arriscar por aqui. 
     A Gap chegou  Amrica Latina em 2010, estabelecendo-se inicialmente em pases como o Chile, o Uruguai, a Colmbia e o Mxico. "O mercado brasileiro foi aquele que mais demandou tempo de pesquisa", disse a VEJA o alemo Stefan Laban, diretor de alianas estratgicas da Gap. "Foram seis anos ao todo." Por que a demora? "H muita regulao e muita tributao no Brasil", diz Laban. Alm da irritante burocracia. Para assegurar a diversidade de produtos e os preos mais baixos, a rede de  lojas, assim como suas concorrentes, trabalha com fornecedores de diferentes partes do mundo. No Brasil, apenas a obteno da licena para utilizar o Sistema Integrado de Comrcio Exterior (Siscomex) pode levar seis meses. Os impostos de importao so pesados. As regras e alquotas de importao tambm mudam constantemente, dificultando a elaborao de um plano de negcios de longo prazo. Para vencer esses obstculos, a Gap optou por abrir as portas no Brasil associada a um grupo local, o GEP, dono das marcas Luigi Bertolli, Cori e Emme. Nos pases avanados, ela no recorre a scios locais. 
     Para conquistar o pblico brasileiro, a Gap planeja cobrar preos similares aos de marcas nacionais. As camisetas custaro a partir de 39,90 reais. As de modelo polo masculinas sairo por 69,90 reais na verso mais bsica, e as calas jeans custaro a partir de 139,90 reais. Ou seja, mesmo com os impostos, os preos devero ser semelhantes aos da maioria das peas vendidas nos Estados Unidos, mgica possvel graas  operao em escala de uma rede global. Inicialmente, todos os produtos sero trazidos de fora. Depois da abertura de mais lojas e do esperado aumento no volume de vendas, parte das roupas poder ser feita por confeces brasileiras. H cinco meses, o GEP foi notificado porque um de seus fornecedores havia subcontratado uma confeco flagrada utilizando trabalhadores bolivianos em condies precrias. O grupo brasileiro afirmou que j regularizou a situao e adotou um sistema para evitar a repetio de casos semelhantes. A prpria Gap  signatria de um acordo internacional para a melhoria nas condies de trabalho, sobretudo nas confeces da sia. 
     O aumento do poder de consumo da classe mdia brasileira e a descentralizao da riqueza para alm do eixo Rio-So Paulo representam atrativos inegveis para as marcas estrangeiras, de acordo com o consultor de mercado de luxo Carlos Ferreirinha, presidente da MCF Consultoria e Conhecimento. "O espao para as chamadas marcas intermedirias ficou imenso. Banana Republic, Abercrombie & Fitch, H&M, Victoria's Secret, Forever 21, todas essas grifes poderiam ter tranquilamente vrias e vrias lojas no Brasil", diz Ferreirinha. O pas, hoje, tem renda e escala suficientes para se integrar ao varejo internacional, com o potencial de oferecer aos consumidores mercadorias de qualidade a um preo razovel, e isso sem precisar enfrentar o turismo sacoleiro nos shoppings da Flrida. A questo  ultrapassar a barreira do protecionismo e o custo da burocracia. 
     A Apple  um caso de empresa que resiste a ter lojas prprias no Brasil, e apenas agora estuda abrir por aqui uma Apple Store, a sua loja oficial  provavelmente no Rio. A H&M, depois de planos engavetados no passado, tambm dever instalar em breve suas primeiras filiais brasileiras. Se confirmada essa ao, a chegada ocorrer apenas depois de o grupo sueco consolidar a sua presena em outros mercados. Em maro passado, a H&M inaugurou sua primeira loja no Chile, e dever estrear tambm ainda neste ano na Estnia e na Indonsia. O Brasil fica para depois. 

OS GIGANTES DA MODA
A americana Gap j foi a maior rede de vesturio do mundo, mas hoje ocupa a terceira posio.

H&M
Hennes & Mauritz
Origem: Sucia
Nmero de lojas: 2900
Marcas do grupo: COS; & Other Stories; Cheap Monday; Monki
Pases onde atua: 49
Faturamento (em 2012, em dlares): 22,4 bilhes

ZARA
Grupo Inditex
Origem: Espanha
Nmero de lojas: 6000
Marcas do grupo: Zara; Zara Home; Massimo Dutti; Pull & Bear; Bershka
Pases onde atua: 86
Faturamento (em 2012, em dlares): 21 bilhes

GAP
Origem: Estados Unidos
Nmero de lojas: 3400
Marcas do grupo: Gap; Banana Republic; Old Navy
Pases onde atua: 90
Faturamento (em 2012, em dlares): 15,7 bilhes

UNI
QLO
Grupo Fast Retailing
Origem: Japo
Nmero de lojas: 1262
Marcas do grupo: Uniqlo; J Brnad; Theory; Princesse Tam Tam
Pases onde atua: 13
Faturamento (em 2012, em dlares): 9,2 bilhes

Fontes: empresas




4. TECNOLOGIA  ISTO, SIM,  TREM-BALA
Elon Musk, o bilionrio que criou a Tesla e a SpaceX, prope um sistema de transporte para viajar a velocidade prxima  do som.

     Se Elon Musk apresenta um projeto, mesmo um que parea luntico,  prudente lev-lo a srio. Ele  o empreendedor mais famoso entre os bilionrios do Vale do Silcio. Cocriador do PayPal, nos anos 90, Musk mais tarde fundou a Tesla, fabricante de carros esportivos e motores eltricos, e a SpaceX, a primeira companhia espacial privada. Um ano atrs, decepcionado com o anncio de um trem de alta velocidade a ser construdo na Califrnia, ele prometeu apresentar uma alternativa, o Hyperloop, sistema de transporte que combinaria alta velocidade com baixo custo. Na segunda-feira passada, finalmente, Musk exibiu o projeto, que parece sado das pginas de um gibi de fico cientfica. 
     O Hyperloop  um trem com velocidade de at 1220 quilmetros por hora, superior  de qualquer avio comercial, que completaria em apenas 35 minutos o percurso de 613 quilmetros entre Los Angeles e So Francisco. Usa-se o termo trem por analogia. Passageiros e carros seriam transportados em cpsulas em lugar de vages. A capacidade prevista de cada cpsula  de 28 passageiros em assentos instalados em duas fileiras paralelas. O passageiro viajaria recostado, com as pernas esticadas  frente, em posio similar quela de um piloto no cockpit de um carro de Frmula 1. A sensao de viajar a essa velocidade, disse Musk, seria a mesma experimentada dentro de um avio. 
     A tecnologia para atingir essa velocidade j existe. Todo o trajeto ser realizado dentro de tubos de ao montados lado a lado sobre suportes instalados a cada 30 metros. O sistema de propulso seria uma combinao entre eletromagnetismo e turbinas movidas a energia eltrica captada por painis solares. Com a alta presso gerada por esses motores dentro dos tubos, as cpsulas flutuariam  altura de pelo menos 0,5 milmetro do piso. Sem contato  entre as superfcies, no haveria atrito, o que possibilitaria a alta velocidade. O custo previsto do Hyperloop: 6 bilhes de dlares, apenas um dcimo do orado para a construo do trem de alta velocidade californiano. 
     Musk manteve o projeto do Hyperloop em aberto para quem quiser fazer alteraes e constru-lo. Ele havia deixado claro, antes do anncio, que no tem tempo para tocar o empreendimento, j que seus dias so preenchidos com compromissos da Tesla e da SpaceX. Depois da divulgao, no entanto, j voltou atrs. Disse que, se ningum fizer o Hyperloop, ele ter de arrumar tempo para isso. 
VICTOR CAPUTO


5. GUSTAVO IOSCHPE  UNIVERSIDADE GRATUITA PARA ALUNO RICO  UMA ABERRAO BRASILEIRA

Seu Gustavo", interfonou o porteiro do meu prdio, "o senhor no vai escrever nada sobre esse Mais Mdicos?" Perguntei-lhe o que achava de mais essa iniciativa natimorta do governo como resposta s manifestaes de junho. Acho at que os mdicos precisam devolver algo  sociedade, mas no sendo forados a ficar dois anos em hospital pblico", respondeu.  uma lgica elementar: em um estado de direito, ningum pode exercer uma profisso contra a sua vontade. A frase me fez lembrar de uma declarao do ex-ministro Mrcio Thomaz Bastos. Quando um cliente recm-absolvido diz no saber como expressar sua gratido pelos servios do advogado, a orientao de Thomaz Bastos  simples: "Depois que os fencios inventaram a moeda, esse problema ficou simples de resolver".  isso. Existe um modo fcil de garantir que futuros mdicos, engenheiros, advogados e estudantes de outras carreiras ressaram os cofres pblicos: cobrar mensalidades de quem pode pagar. Por que criar planos to mirabolantes, e circunscritos a mdicos, se h um modelo mais simples e aplicvel a todos?  
     H um argumento apontado por quem vai contra essa ideia: as universidades pblicas no podem cobrar mensalidades porque tudo que  pblico precisa ser gratuito. Nenhuma dessas pessoas vai aos Correios e espera mandar um Sedex de graa nem passa em postos da Petrobras imaginando pagar a gasolina com esprito cvico. O fato de algo ser pblico no tem relao com gratuidade. Se as universidades pblicas cobrassem mensalidades, continuariam defendendo interesses pblicos. Na maioria dos pases desenvolvidos, as universidades pblicas cobram mensalidades. Na OCDE, associao dos pases desenvolvidos, dezoito membros cobram em suas universidades, incluindo os "neoliberais" Canad, Frana, Itlia e Japo.  
     Algumas pessoas tentam desqualificar a cobrana alegando dificuldades prticas. Esse sistema seria muito difcil de implementar, dizem elas. Criaria um grande risco de deixar gente pobre de fora e ainda renderia pouco aos cofres pblicos. Ora, se isso fosse verdade, os pases com os melhores sistemas educacionais do mundo no o teriam adotado. Em realidade, o modelo  simples: institui-se a cobrana de uma mensalidade, e quem no tem condies de pag-la procura a sua universidade em busca de abatimento. O desconto pode, inclusive, ser superior a 100%, dando no apenas gratuidade como auxlio de custo a estudantes pobres. Basta levar a sua declarao de renda e a dos pais/responsveis para comprovar a ausncia de renda. A Receita Federal institui recomendaes de valor-limite a ser cobrado de acordo com a renda familiar. Com uma simples regra adicional, para no facilitar ainda mais a vida dos sonegadores: quem cursou o ensino mdio em escola privada deve pagar pelo menos a mensalidade que pagava na escola. O esquema no renderia pouco, no. Nas ltimas semanas fiz o seguinte exerccio: com dados cedidos pela Hoper Educao, descobri as mensalidades das universidades privadas top de linha em oito grandes capitais brasileiras para os quinze cursos com mais alunos na graduao. Tomando como base o perfil socioeconmico dos alunos da USP, estimei a porcentagem de alunos que cursaram o ensino mdio em colgios particulares para cada um desses cursos.
     Presumi que essas pessoas poderiam continuar pagando mensalidades pelo menos iguais s das melhores universidades privadas (explicaes mais detalhadas dos clculos esto em twitter.com/gioschpe). Provavelmente  at um valor subestimado, j que muitas das universidades pblicas tm melhor qualidade que as privadas e, portanto, poderiam cobrar mensalidades mais altas. Mas apenas com esse esquema simples de cobrana seria possvel arrecadar mais de 7,4 bilhes de reais por ano. Mesmo em um pas de cifras e desperdcios colossais, no  pouca coisa. 
     Mais decisiva que o valor diretamente arrecadado ou o fim de uma injustia social em um pas to desigual, a cobrana de mensalidades nas universidades pblicas permitiria sanar srias distores do nosso modelo de ensino superior. O Ministrio da Educao (MEC) poderia cortar o financiamento ao oramento geral das universidades federais (a mesma coisa para as secretarias estaduais de educao e as universidades estaduais). As universidades seriam responsveis por obter seu financiamento diretamente dos alunos. Os alunos que no pudessem pagar a mensalidade seriam subsidiados diretamente pelo MEC. Isso foraria as universidades pblicas a cobrar mensalidades de valores compatveis com os de mercado. Com sua atual estrutura de custos, seria impossvel. Nossas universidades pblicas viraram cabides de emprego. H s dez alunos por professor em nossas universidades federais, ante 15,5 nas da OCDE e dezoito nas nossas universidades privadas. H apenas oito alunos por funcionrio, contra 21 nas privadas. Pior: a maioria dos professores  remunerada como se fosse pesquisador de tempo integral, condio real restrita, de  fato, a uma pequena minoria. Para fecharem as contas, as universidades teriam de demitir professores e funcionrios improdutivos. E talvez baixar o salrio fixo dos professores. O MEC e as agncias de fomento complementariam sua renda por meio de pagamento por projeto de pesquisa. Estimulariam a produtividade de nossos melhores pesquisadores (e h excelentes pesquisadores em nossas universidades, na maioria dos casos irritados por ter de aturar colegas descompromissados). Outro caminho para as universidades seria o incremento na rea de extenso, aquela que lida com empresas e outros pblicos externos, fazendo com que suas atividades beneficiassem o setor produtivo brasileiro. Hoje o Brasil produz um nmero razovel de doutores e papers, mas muito poucas patentes. E  muito difcil para as empresas contarem com pesquisadores de ponta em seus projetos, j que a academia lhes oferece salrio bom e estabilidade no emprego. 
     O que fazer com todo o recurso que seria poupado pelo MEC e pelas secretarias, substitudo pelo pagamento de alunos e de projetos em parceria com o setor produtivo? Quando comecei a defender essa ideia, h mais de dez anos, sugeria que o dinheiro fosse reinvestido em educao bsica,  poca ainda carente. Hoje j gastamos em educao bsica o mesmo que pases desenvolvidos, e est claro que o gigantismo paquidrmico do estado impede o pas de crescer. Nada melhor, portanto, que devolver esse dinheiro  sociedade, via reduo de impostos. 
     Essa seria uma boa defesa para convencer aqueles que esgrimem um argumento canhestro para defender a manuteno da gratuidade at para alunos abastados: "Mas eu pago tanto de impostos e nunca recebo nada de volta do estado, a nica coisa que exijo  universidade gratuita pros meus filhos". Bem, mesmo quem no usa hospitais ou escolas pblicas recebe bastante do estado, sob forma de policiamento, estradas, defesa nacional, sistema judicirio etc. E o objetivo de um sistema de tributao justo no  ser um toma l d c, em que voc paga de um lado e recebe do outro, mas sim fazer a redistribuico de renda, em que os mais ricos ajudam os mais pobres. Sim, eu concordo: a qualidade do servio pblico brasileiro  pssima e deveria melhorar.  uma injustia. Mas  s em matemtica que dois negativos fazem um positivo. No  com a injustia de uma universidade gratuita at para gente rica que vamos consertar a injustia maior de um estado incompetente. Precisamos mudar as duas pontas.
GUSTAVO IOSCHPE  economista


6. SADE  UM S NO BASTA
Depois de a abstinncia de cafena entrar para o manual de transtornos mentais, os mdicos discutem se vale a pena curar a dependncia.

     Dor de cabea, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentrao, nusea e dores musculares. Quem costuma ingerir mais de 250 miligramas de cafena por dia e apresenta ao menos trs desses sintomas aps 24 horas sem um nico cafezinho ou refrigerante pode ser diagnosticado com abstinncia de cafena. Esses 250 miligramas equivalem a seis xcaras de caf expresso ou cinco latas e meia de Coca-Cola. A dependncia qumica da substncia  conhecida desde a dcada de 90, mas somente neste ano a abstinncia foi includa no Manual Diagnstico e Estatstico de Transtornos Mentais (DSM), que est em sua quinta edio. O DSM, editado pela Associao Americana de Psiquiatria,  referncia mundial no tratamento de doenas psiquitricas. 
     Como acontece com outros tipos de dependncia qumica, a da cafena tambm se d no crebro. A cafena tem o poder de bloquear os receptores de adenosina, substncia liberada durante toda a atividade cerebral e que funciona como um calmante natural. Assim, uma mente em estado de cansao e com nveis altos de adenosina vai experimentar alvio e excitao depois de algumas doses de cafena. O processo funciona bem durante um tempo, at que o crebro aciona suas defesas em busca de equilbrio e passa a produzir mais receptores de adenosina. Ento, a quantidade de cafena necessria para produzir excitao passa a ser maior. Isso explica por que pessoas que consomem muita cafena adquirem resistncia e precisam aumentar as doses de caf ou refrigerante para desfrutar o efeito energtico. 
     A incluso da abstinncia em um manual de transtornos mentais  controversa. Diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de So Paulo: "Os sintomas de abstinncia de fato existem, a dvida  se vale a pena transform-los em uma doena". Os especialistas que apoiam a iniciativa lembram que a cafena  a droga psicotrpica mais popular do mundo. Para o presidente da Associao Brasileira de Psiquiatria, Antnio Geraldo da Silva, o vcio em cafena e os sintomas de abstinncia devem ser diagnosticados e remediados de maneira individualizada. "Cada organismo apresenta uma vulnerabilidade diferente. O que deve ser observado  se a dependncia atrapalha a realizao das tarefas dirias", diz ele. 
     Felizmente, o tratamento  mais simples, quando comparado ao dispensado a viciados em outras drogas, e os sintomas da abstinncia no costumam durar mais do que uma semana. "A cafena  atpica porque no provoca danos no crebro ou no organismo comparveis aos dos entorpecentes", diz Laranjeira. No consultrio de Roland Griffiths, do departamento de psiquiatria e neurocincia da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, os pacientes viciados em cafena so orientados a reduzir gradualmente a ingesto da substncia  25% a menos a cada semana. Uma das tticas para alcanaR essa reduo  misturar caf descafeinado  verso normal. Em um ponto os especialistas concordam: moderao  essencial para que a cafena no amargue o dia a dia.  
FERNANDA ALLEGRETTI 


7. MEDICINA  A BALA DE PRATA CONTRA O COLESTEROL
Estudos mostram que novo composto reduz em at 80% os nveis sanguneos de LDL, a gordura ruim.  a esperana para cerca de 5 milhes de brasileiros.
NATALIA CUMINALE 

     A doena deu seus primeiros sinais quando a mdica Rosa Sakashita tinha apenas 6 anos. Com caroos espalhados pelo corpo, ela foi levada s pressas ao hospital pelos pais. Assustados, suspeitavam que a filha estivesse com cncer. No estava. No Instituto do Corao (Incor), de So Paulo, descobriu-se que o problema da menina era colesterol alto. O diagnstico final s seria dado quatro anos depois: hipercolesterolemia familiar, afeco de origem gentica gravssima caracterizada por uma concentrao absurda de colesterol ruim, o LDL, nos vasos sanguneos. Entre as vtimas do mal, as taxas de LDL podem chegar a exagerados 1000 miligramas por decilitro de sangue  quando o ideal , no mximo, 160. As erupes cutneas de Rosa eram, na realidade, bolhas de gordura sob a pele. Portadora do mesmo problema, a irm mais velha da mdica morreu precocemente, acometida por um infarto fulminante. Tinha apenas 29 anos. H quase trs dcadas, na tentativa de controlar os nveis de LDL, Rosa, hoje com 49 anos, toma diariamente um coquetel de quatro medicamentos e, uma vez por semana, tem de ir ao Incor, onde seu sangue  filtrado, na tentativa de limp-lo do excesso de LDL. Apesar de todos os esforos, o mau colesterol de Rosa gira hoje em torno dos 250, com pequenas oscilaes  o que no  suficiente para livr-la dos riscos cardiovasculares. Em 2008, ela foi submetida a um cateterismo e  implantao de uma ponte mamaria. Sua filha Marina, de 17 anos, tambm herdou o gene do LDL elevado. Mesmo com a medicao, seu colesterol mantm-se no limite do aceitvel. Pacientes como Rosa e Marina sempre desafiaram a medicina. Elas e todos aqueles que no suportam os efeitos colaterais dos medicamentos anticolesterol disponveis atualmente.  um contingente de pelo menos 5 milhes de brasileiros. H boas-novas para esse grupo. Pelo menos, trs gigantes multinacionais da indstria farmacutica (Pfizer, Sanofi e Amgen) esto em fase adiantada de experincias com um novo frmaco capaz de reduzir em at 80% os nveis de LDL  e sem as reaes adversas dos remdios tradicionais.
     Ainda sem nome comercial, o medicamento usa anticorpos produzidos em laboratrio para inibir a ao da protena PCSK9, envolvida no processo de controle dos nveis de LDL no sangue. O composto j foi testado em seres humanos e, confirmado o sucesso obtido at agora, deve chegar ao mercado em cinco anos. "Os resultados so realmente impressionantes", diz Raul Santos, diretor da Unidade Clnica de Lpides do Incor. "Esses medicamentos podem ser as novas estatinas." A comparao d a exata dimenso da imponncia do inibidor da PCSK9. Lanadas no fim dos anos 80, as estatinas revolucionaram o tratamento do colesterol alto. At ento, a nica arma eficaz contra esse problema era a combinao de dieta balanceada com exerccios fsicos  uma receita que no funcionava para todo mundo, j que a quantidade de colesterol no organismo tem um forte componente gentico. 
     As estatinas so o medicamento mais usado no combate ao colesterol  em doses mdias, conseguem reduzir em cerca de 40% os nveis de LDL. Lderes de venda, movimentam anualmente cifras ao redor dos 30 bilhes de dlares no mundo inteiro. Elas agem na principal fbrica de colesterol do organismo, o fgado, inibindo o trabalho da enzima HMG-CoA redutase. Vale lembrar que cerca de 70% do colesterol circulante no sangue  produzido pelo prprio organismo. Os 30% restantes vm da alimentao. Apesar da eficcia das estatinas, muita gente no tolera seus efeitos colaterais, sendo a dor muscular o principal deles. "Os pacientes tambm abandonam o tratamento por sintomas inespecficos, como insnia", diz o cardiologista Roberto Kalil, diretor clnico do Incor. "Qualquer composto com menos efeitos colaterais ser bem-vindo." Um artigo publicado em abril deste ano na revista cientfica Nature indica que esse ndice de abandono no tratamento com estatinas pode chegar a 20%. Pelos estudos at o momento, as reaes adversas com o novo medicamento so brandas. A mais comum delas: mera dor no local da aplicao. O inibidor da PCSK9  administrado sob a forma de injees quinzenais ou mensais. 
     A investigao em torno do novo composto comeou em 2003, quando mdicos franceses do Hpital Necker  Entants Malades, em Paris, encontraram trs geraes de uma mesma famlia com histrico grave de doenas cardacas e nveis altssimos de colesterol, beirando 500 miligramas por decilitro de sangue. Com a ajuda dos pesquisadores do Clinical Research Institute of Montreal no Canad, eles descobriram que a famlia francesa era portadora de uma mutao no gene PCSK9. Esse defeito gentico leva  produo excessiva da protena PCSK9, que compromete a eliminao do colesterol ruim pelo fgado, facilitando seu acmulo no sangue (veja o quadro na pg. 104). Se o excesso de PCSK9 prejudica o descarte do LDL, o que aconteceria se a produo da protena fosse baixa? Em 2006, a mdica Helen Hobbs, do Centro Mdico da Universidade do Sudoeste do Texas, em Dallas, nos Estados Unidos, encontrou uma mulher negra de 40 anos saudvel e com o nvel de LDL de 14  um valor extremamente baixo e raro em adultos. A paciente herdara duas mutaes no gene PCSK9, uma do pai e a outra da me, que causavam uma diminuio na sntese de PCSK9. "Vimos que uma a cada cinquenta pessoas com ascendncia africana porta alteraes no PCSK9 que resultam em uma queda de 30% a 40% dos nveis de colesterol e uma reduo de 88% no risco cardaco", disse Helen Hobbs em entrevista a VEJA. O passo seguinte foi encontrar uma maneira de imitar essa "mutao positiva" e, assim, inibir a ao da protena PCSK9. A soluo encontrada foi um medicamento biolgico baseado em anticorpos monoclonais. Desenvolvidos em laboratrios, eles se assemelham s clulas de defesa do organismo e so programados para atacar um alvo especfico. No caso do novo remdio, as molculas de PCSK9. " uma quebra de paradigma no tratamento do colesterol", explica Hermes Toros Xavier, presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O uso de medicamentos biolgicos melhora a eficcia e diminui os riscos de efeitos colaterais. 
     Apesar da empolgao, ainda  cedo para decretar o inibidor da PCSK9 como o substituto das estatinas. Primeiro, porque sua segurana e seu sucesso ainda no esto totalmente comprovados. Segundo, porque, como se trata de um remdio biolgico que pressupe tecnologia de ltima gerao para ser fabricado, seu custo  naturalmente mais alto  cerca de 1500 dlares por um ms de tratamento, estimam os mdicos. Com o tempo esse valor naturalmente cair, mas no se deve esperar uma reduo semelhante  que aconteceu com o custo das estatinas. Um editorial publicado em maio de 1998, na revista cientfica Journal of the American Medical Association, mostrava que o tratamento com a primeira estatina, a lovastatina, girava em torno de 120 dlares mensais. Hoje, no passa da metade desse valor. "Enquanto estiver caro, o inibidor da PCSK9 tambm poder ser usado nos casos em que o colesterol precisa baixar muito, j que seus benefcios se somam aos conseguidos pelas estatinas"', diz Raul Santos, do Incor. Com altas doses de estatinas, uma pessoa com LDL 300 consegue chegar, em geral, a 135. Se ela tambm recebesse o novo composto, o LDL chegaria a 27. 
     A expectativa em torno do inibidor da PCSK9  to grande que alguns especialistas j levantam a possibilidade de que o novo composto, depois de sua comercializao, resulte na reduo dos parmetros tidos como saudveis para o LDL. Afinal, como demonstrou a paciente de Helen Hobbs, d para viver bem com quantidades nfimas de LDL no sangue. "Alis, nascemos com nveis baixssimos de LDL", diz a mdica americana. "As taxas do colesterol ruim aumentam progressivamente por causa dos maus hbitos alimentares." Isso no conta para pacientes portadores de mutaes genticas, como Rosa e sua filha Marina, possveis beneficirias do inibidor da PCSK9.

COMO FUNCIONA O NOVO REMDIO
 A PRIMEIRA PISTA
Em 2003, pesquisadores franceses do Hpital Necker-Enfants Malades encontraram uma famlia com histrico de nveis altssimos de colesterol relacionado a uma mutao no gene PCSK9

 DECIFRANDO O PCSK9
Os cientistas associaram o gene PCSK9  produo de uma protena tambm conhecida como PCSK9. Essa protena est relacionada ao controle da quantidade de receptores de LDL, o colesterol ruim, na superfcie do fgado. Esses receptores funcionam como uma espcie de porta de entrada para as molculas de LDL. Uma vez no fgado, o LDL  eliminado do organismo

 O PROBLEMA
No caso da famlia francesa, a mutao gentica levava a uma produo exagerada da protena PCSK9, o que resultou na perda de receptores de LDL na superfcie do fgado. Com isso, o colesterol ruim se acumulou na corrente sangunea, aumentando drasticamente o risco de doenas cardacas

 A SEGUNDA PISTA
Liderados por Helen Hobbs, pesquisadores da Universidade do Sudoeste do Texas, nos Estados Unidos, ao estudarem pacientes com nveis baixssimos de LDL no sangue, descobriram outra mutao no PCSK9. Essa alterao gentica est associada a uma produo menor da protena PCSK9. Ou seja, menos protena resulta em mais receptores de LDL na superfcie do fgado e, consequentemente, em pouco LDL circulante no sangue. Pessoas com a chamada "mutao do bem" no PCSK9 apresentam em mdia 88% menos risco de desenvolver doenas cardacas do que a populao em geral

 A ELABORAO DO MEDICAMENTO
Para reproduzirem o efeito benfico da mutao no PCSK9, os pesquisadores da indstria farmacutica recorreram aos anticorpos monoclonais, desenvolvidos em meados da dcada de 90 para o combate do cncer. Essa estratgia de tratamento funciona da seguinte maneira: 
 Os anticorpos monoclonais ligam-se s molculas da protena PCSK9, em circulao no sangue 
 Dessa forma, impedem a perda dos receptores de LDL na superfcie do fgado. Com isso, o colesterol ruim  eliminado do organismo

Fontes: Raul Santos, diretor da Unidade Clnica de Lpides do Instituto do Corao (Incor), e laboratrios que esto desenvolvendo a nova droga.

Os novos medicamentos, ainda em fase experimental, provocaram reduo de at 80% no nvel de LDL dos pacientes testados.

O FUTURO DE SEU CORAO
O teste a seguir foi baseado no estudo americano de Framingham, o maior e o mais longo levantamento sobre a sade do corao, em andamento desde 1948. Ele avalia o seu risco cardaco  a probabilidade de voc sofrer um evento cardiovascular na prxima dcada.

Etapa 1
Assinale os fatores de risco que voc apresenta:
() Tabagismo
() Hipertenso (presso arterial igual ou superior a 14 por 9) ou uso de medicamento para controlar a presso
() Baixos nveis de HDL (menores que 40 mg/dl para homens e menores que 50mg/dl para mulheres)
() Histrico familiar de doena cardiovascular precoce (pai ou irmo com eventos antes de 55 anos; me ou irm, antes dos 65 anos)
() Idade (homens com mais de 45 anos e mulheres com mais de 55 anos)
TOTAL DE FATORES DE RISCO .......

ATENO:
Se a sua taxa de colesterol bom, o HDL, for igual ou superior a 60 miligramas por decilitro de sangue, diminua 1 ponto do total de fatores de risco assinalados acima.

Etapa 2
 Se voc for diabtico ou portador de doena cardiovascular prvia, v direto para a CATEGORIA I da tabela de avaliao
 Se voc apresentar apenas um fator de risco, v direto para a CATEGORIA IV da tabela de avaliao
 Se voc apresentar dois ou mais fatores de risco, complete a Etapa 3

Etapa 3 Com os dados de seu histrico mdico, responda s questes abaixo

PARA HOMENS
1. Qual  a sua idade?
() at 20 a 34 anos ... -9
() de 35 a 39 anos ... -4
() de 40 a 44 anos ... 0
() de 45 a 49 anos ... 3
() de 50 a 54 anos ... 6
() de 55 a 59 anos ... 8
() de 60 a 64 anos ... 10
() de 65 a 69 anos ... 11
() de 70 a 74 anos ... 12
() de 75 a 79 anos ... 13

2. Voc fuma?
Sim
() at 20 a 39 anos ... 8
() de 40 a 49 anos ... 5
() de 50 a 59 anos ... 3
() de 60 a 69 anos ... 1
() 70 anos ou mais ... 1
No ... 0

3. Qual  o valor do seu colesterol total? (em mg/dl)
<160
() at 20 a 39 anos ... 0
() de 40 a 49 anos ... 0
() de 50 a 59 anos ... 0
() de 60 a 69 anos ... 0
() 70 anos ou mais ... 0

160-199
() at 20 a 39 anos ... 4
() de 40 a 49 anos ... 3
() de 50 a 59 anos ... 2
() de 60 a 69 anos ... 1
() 70 anos ou mais ... 0

200-239
() at 20 a 39 anos ... 7
() de 40 a 49 anos ... 5
() de 50 a 59 anos ... 3
() de 60 a 69 anos ... 1
() 70 anos ou mais ... 0

240-279
() at 20 a 39 anos ... 9
() de 40 a 49 anos ... 6
() de 50 a 59 anos ... 4
() de 60 a 69 anos ... 2
() 70 anos ou mais ... 1

>280
() at 20 a 39 anos ... 11
() de 40 a 49 anos ... 8
() de 50 a 59 anos ... 5
() de 60 a 69 anos ... 3
() 70 anos ou mais ... 1

4. Qual  o seu nvel de HDL? (em mg/dl)
() <40 ... 2
() 40-49 ... 1
() 50-59 ... 0
() >60 ... -1

5. Como est a sua presso arterial? (em mmHg)
SISTLICA | Com tratamento | Sem tratamento
() <120 | 0 | 0
() 120-129 | 0 | 1
() 130-139 | 1 | 2
() 140-159 | 1 | 2
() >160 | 2 | 3

PONTUAO FINAL ....


PARA MULHERES
1. Qual  a sua idade?
() at 20 a 34 anos ... -7
() de 35 a 39 anos ... -3
() de 40 a 44 anos ... 0
() de 45 a 49 anos ... 3
() de 50 a 54 anos ... 6
() de 55 a 59 anos ... 8
() de 60 a 64 anos ... 10
() de 65 a 69 anos ... 12
() de 70 a 74 anos ... 14
() de 75 a 79 anos ... 16

2. Voc fuma?
Sim
() at 20 a 39 anos ... 9
() de 40 a 49 anos ... 7
() de 50 a 59 anos ... 4
() de 60 a 69 anos ... 2
() 70 anos ou mais ... 1
No ... 0

3. Qual  o valor do seu colesterol total? (em mg/dl)
<160
() at 20 a 39 anos ... 0
() de 40 a 49 anos ... 0
() de 50 a 59 anos ... 0
() de 60 a 69 anos ... 0
() 70 anos ou mais ... 0

160-199
() at 20 a 39 anos ... 4
() de 40 a 49 anos ... 3
() de 50 a 59 anos ... 2
() de 60 a 69 anos ... 1
() 70 anos ou mais ... 1

200-239
() at 20 a 39 anos ... 8
() de 40 a 49 anos ... 6
() de 50 a 59 anos ... 4
() de 60 a 69 anos ... 2
() 70 anos ou mais ... 1

240-279
() at 20 a 39 anos ... 11
() de 40 a 49 anos ... 8
() de 50 a 59 anos ... 5
() de 60 a 69 anos ... 3
() 70 anos ou mais ... 2

>280
() at 20 a 39 anos ... 13
() de 40 a 49 anos ... 10
() de 50 a 59 anos ... 7
() de 60 a 69 anos ... 4
() 70 anos ou mais ... 2

4. Qual  o seu nvel de HDL? (em mg/dl)
() <40 ... 2
() 40-49 ... 1
() 50-59 ... 0
() >60 ... -1

5. Como est a sua presso arterial? (em mmHg)
SISTLICA | Com tratamento | Sem tratamento
() <120 | 0 | 0
() 120-129 | 0 | 3
() 130-139 | 2 | 4
() 140-159 | 3 | 5
() >160 | 4 | 6

PONTUAO FINAL ....


TABELA DO RISCO CARDACO
Com base na pontuao final da Etapa 3, use a tabela ao lado para determinar o seu risco cardaco e confira no quadro de avaliao em que categoria voc se encontra e qual a taxa de LDL ideal 

HOMENS
PONTOS | % DE RISCO
<0 | <1
0 | 1
1 | 1
2 | 1
3 | 1
4 | 1
5 | 2
6 | 2
7 | 3
8 | 4
9 | 5
10 | 6
11 | 8
12 | 10
13 | 12
14 | 16
15 | 20
16 | 25
>17 | >30

MULHERES
PONTOS | % DE RISCO
<9 | <1
9 | 1
10 | 1
11 | 1
12 | 1
13 | 2
14 | 2
15 | 3
16 | 4
17 | 5
18 | 6
19 | 8
20 | 11
21 | 14
22 | 17
23 | 22
24 | 27
>25 | >30

AVALIAO

Se voc tiver: Diabetes ou doena cardiovascular prvia OU Risco cardaco maior do que 20%
Categoria de risco: Categoria I RISCO ALTSSIMO
O seu LDL devera ser... menor que 100 mg/dl

Se voc tiver: Dois ou mais fatores de risco e Risco cardaco entre 10% e 20
Categoria de risco: Categoria II RISCO ALTO
O seu LDL devera ser... no mximo 130 mg/dl

Se voc tiver: Dois ou mais fatores de risco e Risco cardaco menor do que 10%
Categoria de risco: Categoria III RISCO MODERADO
O seu LDL devera ser... no mximo 130 mg/dl

Se voc tiver: At um fator de risco
Categoria de risco: Categoria IV RISCO BAIXO
O seu LDL devera ser... at 160 mg/dl

UMA BREVE HISTRIA DO COLESTEROL
1815
 A DESCOBERTA  Isolado a partir de cristais em clculos biliares, inicialmente o colesterol recebeu o nome de cholesterine, que, em grego, significa bile slida

1904
 ENTUPIMENTO DAS ARTRIAS - A expresso aterosclerose foi usada para definir a obstruo da passagem do sangue causada pelo acmulo de placas de gordura na parede dos vasos sanguneos

1913
 A GORDURA QUE VEM DA COMIDA - Coelhos desenvolveram aterosclerose depois de ser submetidos a uma dieta  base de gema de ovo, alimento rico em colesterol

1961
 FATOR DE RISCO - Pesquisadores americanos envolvidos no estudo de Framingham definiram o colesterol alto como fator de risco para as doenas cardiovasculares

1973
 O EMBRIO DAS ESTATINAS - A compactina, substncia eficiente no combate ao colesterol, foi descoberta no fungo Penicillium citrinum. Ela serviu de base para a criao das estatinas, at hoje a primeira opo de tratamento no combate ao colesterol

1985
 UMA CHAVE PARA NOVOS TRATAMENTOS - Pesquisadores identificaram que protenas presentes na superfcie das clulas, chamadas de receptores de LDL, tm papel central na reduo dos nveis de colesterol. A descoberta rendeu o Prmio Nobel de Medicina aos geneticistas americanos Joseph Goldstein e Michael Brown


